Por que o pedido volta genérico, e o que muda quando você conta antes de pedir
Prompt é o texto que você manda para a IA. Ela não guarda uma resposta certa em algum lugar: ela escreve, prevendo o próximo pedaço a partir do que está escrito. O que você não escreveu, ela preenche com o que é comum no mundo.
Esta página ensina a escrever o pedido. A página abaixo trata do caso em que o que você quer de volta é uma tela que funciona, não um texto: o mesmo pedido, com quatro partes e uma regra.
O chat pode devolver uma tela que funciona. Diga o que quer ver nela, e deixe com ela o como fazer.
Lá você encontraPense no corretor do celular sugerindo a próxima palavra enquanto você digita: a IA faz o mesmo, só que depois de ter lido uma quantidade enorme de texto. Faça você o papel da IA. A cada passo aparecem os pedaços de texto mais prováveis depois do que já está escrito. Escolha um, ou deixe o sorteio escolher, e rode de novo para ver outra frase nascer do mesmo começo.
É como pedir ao fornecedor: “quero cadeiras” traz o catálogo inteiro; “trinta cadeiras pretas, empilháveis, até sexta” traz o orçamento certo. Siga o mesmo pedido ganhando uma informação por vez. Nenhum acréscimo é educação ou capricho: é informação que você já tinha na cabeça e não tinha escrito. É isso que se chama contexto: o que a IA precisa saber da situação, além da tarefa.
Uma explicação que circula entre quem faz site: uma ferramenta muito usada para montar sites trazia um roxo como cor de exemplo. Os tutoriais copiaram o exemplo, e a IA aprendeu lendo esses tutoriais. Aprendeu que “botão moderno” é roxo. Quando o pedido não diz a cor, ela escolhe a mais provável, e a mais provável é a média do que ela leu.
Com o seu relatório acontece o mesmo: sem a situação da sua empresa escrita, ele sai com a cara do relatório de qualquer empresa. Não é defeito da IA. É o que sobra quando o contexto fica na sua cabeça.
Estreitar não é alongar. Pedido longo cheio de “capriche” e “seja detalhado” não fecha porta nenhuma.
Pense em alguém competente que acabou de entrar na sua área. Você diria para quem é, o que já foi decidido, o que não pode faltar e como saber que ficou pronto. Carregue um exemplo, troque campo por campo pelo seu, e veja o pedido crescer. Apague um campo para ver o que acontece sem ele.
Os cinco primeiros campos melhoram a resposta. O sexto melhora a sua conferência: sem critério, qualquer resposta parece certa, inclusive para quem pediu.
Como saber se o sexto campo está bem escrito. Compare dois critérios para a mesma tela, a que mostra ao paciente quanto tempo falta para ser atendido.
“O sistema é fácil de usar.”
Fácil para quem? Fazendo o quê? Qualquer resposta passa, porque não há o que medir.
“Um paciente com celular simples acha o tempo de espera em menos de 30 segundos, sem criar conta.”
Tem quem usa, o que faz, em quanto tempo e com que condição. Dá para conferir com um cronômetro na mão.
É o briefing para uma agência: a que acabou de ser contratada recebe o formulário inteiro; a que atende a empresa há anos recebe três linhas, com o objetivo, o que não pode e como vai ser aprovado. Os seis campos são o jeito mais ensinado, e continuam funcionando. Com os modelos mais recentes (as versões novas da IA que roda por trás do chat) apareceu um jeito mais enxuto, vindo de quem constrói as próprias ferramentas: menos campos, e mais peso em dizer o que é pronto e como conferir.
“Um erro comum é dar instrução específica demais: faça desse jeito, primeiro 1, depois 2, depois 3, depois 4. Para os modelos de hoje, não é esse o caminho. Suba um nível: descreva a tarefa, descreva os limites, descreva o critério de pronto, e deixe rodar.”Boris Cherny · criador do Claude Code · 2026 · tradução livre, resumida
Na mesma conversa ele conta que a equipe apagou 80% das instruções internas da ferramenta quando o modelo novo saiu, porque a maior parte existia para corrigir coisa que o modelo já fazia sozinho. E diz qual é a parte que quase ninguém acerta: dar à IA um jeito de conferir o próprio trabalho.
Clique num campo da esquerda para ver para onde ele foi. A linha tracejada é o campo que virou opcional.
Ao chamar um táxi você dá o endereço com número e ponto de referência, mas não ensina o motorista a dirigir. Os dois jeitos concordam num ponto: o problema nunca foi o tamanho do pedido. Um pedido de sessenta linhas pode estar ótimo, se todas elas dizem aonde chegar. Classifique cada frase e veja a regra.
Formato, tamanho, quem lê, o que ignorar, o que fazer na dúvida, como conferir. Quanto mais disso, menos ela adivinha.
Em que ordem pensar, que fórmula usar, por onde começar. Os modelos atuais costumam achar um caminho melhor que o ditado.
Cuidado com o pedido que parece destino e é desejo: “melhore a recepção dos clientes novos” não diz como reconhecer que chegou; “o cliente novo emite a primeira nota sozinho, no primeiro dia” diz. Essa linha se escreve no critério de sucesso.
A exceção: quando a ordem é o próprio requisito (uma checagem obrigatória, um passo que depende do outro), ela deixa de ser trajeto e vira destino.
É o malote com envelopes etiquetados, “para assinar” e “para arquivar”: ninguém confunde a carta do cliente com a ordem do chefe. Quando o pedido cresce, ou traz um texto colado, a IA recebe tudo como um bloco só. Etiquetas como <tarefa> … </tarefa>, os delimitadores, marcam onde cada parte começa e termina. Troque entre os dois e repare na frase destacada.
| Etiqueta | Nos seis campos | Nas três perguntas |
|---|---|---|
| <tarefa> | Tarefa, com o contexto que dá destino a ela | Qual é o resultado, e para que serve? |
| <identidade> | Papel, também chamado de persona | Opcional: só quando muda o olhar da resposta |
| <limites> | Limitações | O que não pode, e o que fazer na dúvida? |
| <pronto> | Formato e critério de sucesso; um exemplo do bom resultado também cabe aqui | Como saber que acabou, e como conferir? |
| <material> | O anexo ou o texto colado | O que é para ler, e não para obedecer |
Os nomes são seus: em português, em inglês, o que for. O que importa é abrir e fechar com o mesmo nome, e citar a etiqueta na instrução (“revise o que está em <email>”).
<tarefa> [o resultado que você quer, e para que ele serve] </tarefa> <limites> [o que não pode, o que ignorar, o que fazer se faltar dado] </limites> <pronto> [formato, tamanho, quem lê e o que faz depois de ler] Antes de entregar, confira [o quê] contra o material. </pronto> <material> [cole aqui o texto, ou diga qual anexo] </material>
Quero montar um pedido para [o que você quer resolver]. Antes de escrever qualquer coisa, me entreviste: uma pergunta de cada vez, até você entender o resultado que eu quero, os limites e como vou saber que ficou pronto. No fim, me devolva o pedido completo, separado nas etiquetas <tarefa>, <limites>, <pronto> e <material>.
A clareza da tarefa é o trabalho de quem pede. Quando ela ainda não existe nem para você, a entrevista faz a IA trabalhar para você chegar nela.
Na ordem de serviço, “ver a copiadora” pode virar visita, orçamento ou conserto; “trocar o toner da copiadora do 2º andar” só vira uma coisa. Quando o verbo é vago, a IA escolhe a interpretação por conta própria. Clique num verbo vago e veja por quais trocar.
| Tipo de entrega | Verbos que funcionam |
|---|---|
| Análise | analise · identifique · diagnostique · mapeie · avalie |
| Criação | redija · escreva · estruture · adapte |
| Decisão | compare · priorize · recomende · classifique |
| Síntese | resuma · extraia · consolide · destaque |
| Plano | monte · detalhe · proponha · defina |
Teste de bolso: se você não consegue trocar o verbo do seu pedido por um desta tabela, a tarefa ainda está vaga.
É o e-mail de pedido que volta com “qual o prazo?”, depois “para qual unidade?”, depois “em que formato?”: cada ida e volta é trabalho que uma linha a mais teria poupado. Aqui, o que muda é só o que estava escrito na primeira mensagem. Rode as duas conversas e conte as mensagens em que você não produziu nada, só explicou o que já sabia desde o começo.
Resposta longa costuma ser sinal de que faltou critério, não de que veio completa.
Funciona como os modelos de contrato do jurídico: a estrutura já vem pronta, e você só preenche o que está em destaque. Os sete primeiros já vêm nos seis campos; o último pede para a IA montá-los. O que está marcado é o que você troca pelo seu caso; o resto pode ficar como está.
Nenhum formulário de reembolso bem preenchido faz aparecer a nota fiscal que ninguém pediu. Saber a diferença evita que você fique reescrevendo um pedido que já estava bom.
Nenhum campo faz a IA saber o que ninguém escreveu. Se a regra só existe na cabeça de alguém, ela precisa virar texto antes.
Pedido perfeito sobre um arquivo que ela não abriu devolve suposição bem escrita.
Nenhum critério de sucesso transfere a assinatura. Ela organiza a decisão; quem decide é você.
Três linhas com os seis campos ganham de três parágrafos sem nenhum. O que conta é quais informações estão lá, não quantas palavras.
“Em formato executivo” quer dizer uma coisa para você e outra para ela. Descreva as partes, ou cole um pedaço de um que ficou bom.
“Que fique bom” não é critério. Critério é o que alguém faz depois de ler: decide, aprova, envia, corrige.
Cada rodada é uma amostra diferente, e sempre vai existir uma que agrada, inclusive quando todas estão erradas. O caminho é mudar o pedido.
Quando o problema é o pedido, o defeito da resposta diz qual campo mexer. Mude esse campo e rode de novo.
| A resposta veio | Mexa em | O que acrescentar |
|---|---|---|
| Genérica, servia para qualquer empresa | Contexto | A sua situação: números, prazos, o que já foi decidido |
| Rasa: tem o que você pediu, sem profundidade | Tarefa | Quais pontos aprofundar, e um exemplo ou caso prático de cada |
| No tom errado: formal demais para a equipe, solta demais para a diretoria | Contexto | Quem vai ler, e o tom que essa pessoa espera |
| Com a informação certa, mas difícil de usar | Formato | Tabela, lista ou checklist, e o tamanho |
A resposta nasce do que está escrito. O que ficou na sua cabeça não existe para ela.
Cada campo fecha uma porta. Pedido longo sem informação nova continua com o campo largo.
Decide, aprova, envia, corrige. Sem ele, você aceita a primeira resposta que voltar.
Simplificação didática. As porcentagens do jogo e as larguras do funil são ilustrativas, assim como os exemplos de critério e de pedido, inclusive os 30 segundos. Os nomes dos campos variam entre materiais; o que não varia é que cada um responde a uma pergunta que a IA não tem como adivinhar. A fala citada é de 2026, em tradução livre e resumida; o que vale para os modelos muda a cada geração.