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5.6 · método

IPO

Entrada, processo, saída: abrir o trabalho em passos que dá para conferir, cronometrar e defender

Todo processo tem o que chega, o que se faz e o que sai pronto. Escrever os três, com o tempo de cada passo, transforma a impressão de “isso demora” num número que se mede, que aponta onde o tempo vaza e que se defende numa reunião. A sigla vem do inglês: input, process, output, ou seja, entrada, processo e saída.

Sete colunas

Três partes no nome, sete colunas na tabela

Pense no formulário de requisição de compra: ele tem um campo para cada pergunta que, esquecida, faz o pedido voltar. Aqui é igual. Entrada, processo e saída dão o nome. Em volta deles, mais quatro colunas impedem os erros de sempre. A última, o tempo, é a que o mapeamento clássico não tem, e sem ela não dá para achar onde o tempo vaza. Clique em cada coluna; o exemplo é um pedido de orçamento.

Passo que dá para conferir

Passo com verbo e com critério, e não um assunto

No checklist de abertura da loja, “ver o caixa” não se marca com um X; “contar o troco e bater com R$ 200” se marca. A pergunta que separa os dois é uma só: dá para dizer se o passo aconteceu? Se a resposta depende de interpretação, ainda é assunto, e assunto não se cronometra nem se delega. Classifique os seis.

a receita de família

“Um pouco de farinha, até dar o ponto.”

o mesmo passo, com critério

“Bater até a massa soltar da lateral da tigela.”

Monte a tabela do seu processo

A tabela do processo de hoje, com a espera dentro

O médico pede o exame antes de receitar: sem o retrato de hoje, ninguém diz depois se melhorou. Escreva as duas pontas primeiro, e só depois os passos do meio. Marque EX (de externo) o que depende de outro setor ou sistema; o que você resolve sozinho fica IN (de interno). Descreva o processo de hoje, com defeito e tudo: sem o de hoje, não existe antes para comparar. O exemplo do orçamento já vem preenchido.

passos0
trabalho de pessoa0
até quem recebe0
O processo em texto, para colar no chat
Onde o tempo vaza

A mesma tabela, duas perguntas, dois culpados

Na fila do banco, o tempo que você passa esperando e o tempo que o caixa gasta com você são números diferentes, e cada um tem um culpado. As barras abaixo são a sua tabela. Quanto tempo até quem recebe é uma pergunta; quanto do seu dia aquilo come é outra. Quase sempre o passo que mais demora e o que mais cansa são diferentes, e a pergunta decide qual dos dois você acha.

Barras de tempo por passo do processo montado acima

Barra grande não é o mesmo que problema: análise de crédito precisa demorar. A pergunta é qual passo é maior do que precisaria ser. E tempo estimado continua estimativa depois de virar barra.

Os sete tipos de desperdício

Sete nomes para o que vaza, e dois bastam quase sempre

No inventário do almoxarifado, a perda é separada por tipo (vencido, quebrado, extraviado), e o tipo já diz onde procurar. Desperdício aqui não é julgamento: é tudo o que consome tempo e não muda o que o cliente recebe. Os sete nomes vêm do Lean, método criado para cortar o que não agrega valor ao cliente. Dar nome antes de procurar a causa já restringe onde ela pode estar. Numa mesa de escritório, espera e retrabalho costumam responder pela maior parte.

Perguntar por quê até a causa

Pergunte por quê até chegar em algo que se decide

Quando a nota fiscal sai errada, “fulano digitou errado” encerra a conversa, mas não impede a próxima nota errada. A primeira explicação chega antes do dado e ocupa o lugar dele. Cadeia que termina numa pessoa quase sempre parou cedo: transforma problema de desenho em problema de gente, e a correção vira cobrança. Puxe a cadeia.

Quando não se sabe nem por onde começar, percorre-se em largura em vez de fundo, com os 6M do diagrama de causa e efeito, a espinha de peixe: material, mão de obra, máquina, método, medição e meio. A lista existe para nenhuma família de causa ficar de fora. Num escritório, método e medição costumam render mais.

O processo depois da mudança

A espera não foi acelerada: ela deixou de existir

É como deixar a tabela de frete impressa no balcão: a ligação para a transportadora não fica mais rápida, ela deixa de existir. O mesmo orçamento, depois de mexer nas duas causas: a tabela de preços passou a existir escrita, e o modelo de proposta ganhou os itens que mais se repetem. Destaque o que mudou.

Hoje · 5 passos2 dias e 1h25
  1. 15 minLer o pedido e listar os itens
  2. 20 minConferir contra a tabela vigente
  3. 2 diasEsperar o técnico responder preço e prazo
  4. 40 minMontar a proposta do zero
  5. 10 minRevisar e enviar
Com a tabela escrita · 4 passos50 min
  1. 15 minLer o pedido e listar os itens
  2. 10 minConsultar preço e prazo na tabela, que agora existe
  3. —Esperar o técnico responder
  4. 15 minMontar com os itens recorrentes já no modelo
  5. 10 minRevisar e enviar

O processo com a tabela escrita exige uma coisa que o de hoje não exige: alguém escreveu a tabela de preços, e esse alguém talvez não seja você.

Quanto a mudança vale em reais

O número que você mediu contra o número que você chutou

É a mesma conta do pedido de hora extra: horas vezes o valor da hora, e quem aprova quer saber de onde saiu cada número. A conta cabe numa linha: horas economizadas no mês × custo da hora de quem faz. Compare o chute de antes de medir com a medida, e depois ponha os seus números.

85
50
20
45
Por mês, em reais
—
horas por mês—
em um ano—

Este número é uma estimativa, não uma promessa. Serve para priorizar e argumentar, não para contrato. O custo da hora é o salário bruto dividido por 160.

A defesa de um minuto, escrita
Dado

Medi o atendimento a pedido de orçamento: o cliente espera 2 dias e 1h25, e quase tudo isso é a espera pela resposta de preço do técnico. Acontece 20 vezes por mês.

Hipótese

Se os itens fora de tabela tivessem preço e prazo escritos, a espera sairia do processo. A conta conservadora dá cerca de R$ 500 por mês, e a proposta sai no mesmo dia.

Próximo passo

Uma hora com o coordenador técnico para levantar os 20 itens que mais aparecem. O levantamento é meu, a validação é dele. Prazo: duas semanas.

O ganho que não vira hora, como a proposta sair no mesmo dia, entra na conversa, e não na conta. Converter à força é o que faz o resto perder credibilidade.

Pedidos para copiar

Três pedidos, na ordem do método

Funciona como o roteiro de entrevista do RH: as perguntas vêm antes do parecer, para o parecer não sair do achismo. O primeiro entrevista você antes de escrever: se ele começasse pela tabela, voltaria uma tabela plausível e que não é sua. O segundo puxa a causa sem aceitar a primeira explicação. O terceiro transforma a causa em plano com dono.

A pergunta de bolso: você consegue explicar o seu passo a passo em menos de dois minutos para um colega? Se não consegue, o problema quase nunca é a IA: é que o processo não existe escrito.

Para levar

Três ideias

Sem tempo por passo, é só descrição

A coluna do tempo é a que separa mapear de melhorar. Chute marcado como chute vale mais que célula vazia.

O que demora e o que cansa são passos diferentes

Some tudo, depois some só o que é trabalho seu. A diferença entre os dois totais tem nome: espera.

A causa termina em algo que se decide

Se a cadeia de porquês acaba numa pessoa, pergunte mais uma vez. Quase sempre falta um passo no desenho.

IPO
Entrada, processo e saída: o formato de escrever um processo com o que chega, os passos e o que sai pronto.
IN e EX
O passo que você resolve sentado, com o que tem em mãos, e o que depende de outro setor, sistema ou pessoa.
Espera
Tempo parado entre etapas. Conta no prazo de quem recebe e não conta no seu esforço.
Retrabalho
Refazer por erro ou por falta de padrão. Costuma morar no passo que você repete do zero.

Simplificação didática. O processo do orçamento e os seus tempos são fictícios. Um dia de espera foi contado como um dia de calendário. Os limites de quatro a sete passos e as faixas da calculadora são sinais práticos, não regras.