Entrada, processo, saída: abrir o trabalho em passos que dá para conferir, cronometrar e defender
Todo processo tem o que chega, o que se faz e o que sai pronto. Escrever os três, com o tempo de cada passo, transforma a impressão de “isso demora” num número que se mede, que aponta onde o tempo vaza e que se defende numa reunião. A sigla vem do inglês: input, process, output, ou seja, entrada, processo e saída.
Pense no formulário de requisição de compra: ele tem um campo para cada pergunta que, esquecida, faz o pedido voltar. Aqui é igual. Entrada, processo e saída dão o nome. Em volta deles, mais quatro colunas impedem os erros de sempre. A última, o tempo, é a que o mapeamento clássico não tem, e sem ela não dá para achar onde o tempo vaza. Clique em cada coluna; o exemplo é um pedido de orçamento.
No checklist de abertura da loja, “ver o caixa” não se marca com um X; “contar o troco e bater com R$ 200” se marca. A pergunta que separa os dois é uma só: dá para dizer se o passo aconteceu? Se a resposta depende de interpretação, ainda é assunto, e assunto não se cronometra nem se delega. Classifique os seis.
“Um pouco de farinha, até dar o ponto.”
“Bater até a massa soltar da lateral da tigela.”
O médico pede o exame antes de receitar: sem o retrato de hoje, ninguém diz depois se melhorou. Escreva as duas pontas primeiro, e só depois os passos do meio. Marque EX (de externo) o que depende de outro setor ou sistema; o que você resolve sozinho fica IN (de interno). Descreva o processo de hoje, com defeito e tudo: sem o de hoje, não existe antes para comparar. O exemplo do orçamento já vem preenchido.
Na fila do banco, o tempo que você passa esperando e o tempo que o caixa gasta com você são números diferentes, e cada um tem um culpado. As barras abaixo são a sua tabela. Quanto tempo até quem recebe é uma pergunta; quanto do seu dia aquilo come é outra. Quase sempre o passo que mais demora e o que mais cansa são diferentes, e a pergunta decide qual dos dois você acha.
Barra grande não é o mesmo que problema: análise de crédito precisa demorar. A pergunta é qual passo é maior do que precisaria ser. E tempo estimado continua estimativa depois de virar barra.
No inventário do almoxarifado, a perda é separada por tipo (vencido, quebrado, extraviado), e o tipo já diz onde procurar. Desperdício aqui não é julgamento: é tudo o que consome tempo e não muda o que o cliente recebe. Os sete nomes vêm do Lean, método criado para cortar o que não agrega valor ao cliente. Dar nome antes de procurar a causa já restringe onde ela pode estar. Numa mesa de escritório, espera e retrabalho costumam responder pela maior parte.
Quando a nota fiscal sai errada, “fulano digitou errado” encerra a conversa, mas não impede a próxima nota errada. A primeira explicação chega antes do dado e ocupa o lugar dele. Cadeia que termina numa pessoa quase sempre parou cedo: transforma problema de desenho em problema de gente, e a correção vira cobrança. Puxe a cadeia.
Quando não se sabe nem por onde começar, percorre-se em largura em vez de fundo, com os 6M do diagrama de causa e efeito, a espinha de peixe: material, mão de obra, máquina, método, medição e meio. A lista existe para nenhuma família de causa ficar de fora. Num escritório, método e medição costumam render mais.
É como deixar a tabela de frete impressa no balcão: a ligação para a transportadora não fica mais rápida, ela deixa de existir. O mesmo orçamento, depois de mexer nas duas causas: a tabela de preços passou a existir escrita, e o modelo de proposta ganhou os itens que mais se repetem. Destaque o que mudou.
O processo com a tabela escrita exige uma coisa que o de hoje não exige: alguém escreveu a tabela de preços, e esse alguém talvez não seja você.
É a mesma conta do pedido de hora extra: horas vezes o valor da hora, e quem aprova quer saber de onde saiu cada número. A conta cabe numa linha: horas economizadas no mês × custo da hora de quem faz. Compare o chute de antes de medir com a medida, e depois ponha os seus números.
Este número é uma estimativa, não uma promessa. Serve para priorizar e argumentar, não para contrato. O custo da hora é o salário bruto dividido por 160.
Medi o atendimento a pedido de orçamento: o cliente espera 2 dias e 1h25, e quase tudo isso é a espera pela resposta de preço do técnico. Acontece 20 vezes por mês.
Se os itens fora de tabela tivessem preço e prazo escritos, a espera sairia do processo. A conta conservadora dá cerca de R$ 500 por mês, e a proposta sai no mesmo dia.
Uma hora com o coordenador técnico para levantar os 20 itens que mais aparecem. O levantamento é meu, a validação é dele. Prazo: duas semanas.
O ganho que não vira hora, como a proposta sair no mesmo dia, entra na conversa, e não na conta. Converter à força é o que faz o resto perder credibilidade.
Funciona como o roteiro de entrevista do RH: as perguntas vêm antes do parecer, para o parecer não sair do achismo. O primeiro entrevista você antes de escrever: se ele começasse pela tabela, voltaria uma tabela plausível e que não é sua. O segundo puxa a causa sem aceitar a primeira explicação. O terceiro transforma a causa em plano com dono.
A pergunta de bolso: você consegue explicar o seu passo a passo em menos de dois minutos para um colega? Se não consegue, o problema quase nunca é a IA: é que o processo não existe escrito.
A coluna do tempo é a que separa mapear de melhorar. Chute marcado como chute vale mais que célula vazia.
Some tudo, depois some só o que é trabalho seu. A diferença entre os dois totais tem nome: espera.
Se a cadeia de porquês acaba numa pessoa, pergunte mais uma vez. Quase sempre falta um passo no desenho.
Simplificação didática. O processo do orçamento e os seus tempos são fictícios. Um dia de espera foi contado como um dia de calendário. Os limites de quatro a sete passos e as faixas da calculadora são sinais práticos, não regras.