Um procedimento escrito, com etiqueta, que a IA só abre quando a tarefa bate com a etiqueta
A instrução diz quem você é e vale sempre. A skill diz como uma tarefa específica se faz: os passos, as exceções, o material que se consulta. Ela fica guardada e fechada; na mesa fica só o nome e uma frase dizendo quando usar. O nome do recurso muda de ferramenta para ferramenta (no Claude, por exemplo, aparece como Skills ou Habilidades); o mecanismo da etiqueta que abre o conteúdo é o que interessa.
Na estante de manuais, você lê a lombada e só tira da prateleira o que vai usar. Aqui, na largada entram só as etiquetas. O passo a passo abre quando o pedido bate com uma delas. O anexo abre só se o passo a passo mandar consultar. Por isso uma skill pode ser longa sem pesar. Avance.
Imagine o procedimento de fechamento contábil impresso no verso de todo papel da empresa: até o bilhete da copa viria com doze passos. Abaixo, texto idêntico, palavra por palavra. A diferença é o lugar, e ela aparece num pedido que não tem nada a ver com ele. Colado nas instruções, o procedimento é lido sempre, e aplicado onde não devia.
Pedido: “Escreva um e-mail curto avisando a unidade que o prazo mudou.”
Guardar no lugar certo não melhora o texto. Melhora quando ele é usado.
Pense no kit que o RH entrega na admissão: a folha de instruções, a norma, o formulário em branco, cada um no seu envelope. Na skill, só a primeira gaveta é obrigatória: o arquivo SKILL.md, um texto simples (é o que o .md no fim quer dizer). As outras levam junto o material que a sua área já tem: a norma, o modelo, uma conta que não pode variar. Gaveta vazia não é skill incompleta: é skill do tamanho do problema. Troque de skill e clique nas gavetas.
Das quatro skills de exemplo, nenhuma usa a gaveta de scripts. Nas tarefas de escritório ela é rara; em skill de quem programa, é comum. E o anexo pode ser grande: ele só é lido quando o passo a passo manda. Não resuma a norma antes de anexar; é no resumo que a exceção some.
Um mesmo contrato antigo pode servir de consulta para o jurídico e de modelo para a secretária: o que decide onde ele fica é o que se faz com ele. Ela lê para decidir, copia para produzir, roda para calcular, ou aquilo é o próprio método? O mesmo arquivo pode cair em gavetas diferentes conforme o uso.
Na recepção, o atendente encaminha pela plaquinha de cada sala: se a plaquinha diz só “Sala 3”, ninguém sabe que é ali que se resolve o reembolso. A descrição (o campo “description”, no topo do arquivo) é o que ela lê para decidir se a skill entra. Ela precisa dizer o que faz e quando usar, com as palavras que você usaria no pedido. Escreva a sua e teste com um pedido: a simulação procura as palavras em comum, que é uma versão tosca do que a IA faz.
Escreva a etiqueta antes do conteúdo. Quem escreve o passo a passo primeiro acaba com uma etiqueta que descreve o texto (“procedimento de cotação”) e não o momento (“quando o pedido for comparar propostas”).
No escritório há o regulamento que vale sempre, o modelo de e-mail que você copia quando lembra, e o formulário que só sai quando alguém pede no balcão: tudo é papel, muda quem decide usar. Aqui, o prompt salvo é um pedido pronto que você guarda para colar de novo. Os quatro guardam texto. O que muda é quem puxa o gatilho, e quando.
Os documentos, as regras da casa, o histórico daquele trabalho. Responde o quê: quais são os clientes, qual tabela vale, o que já se decidiu. Vale ali dentro.
Os passos de uma tarefa, com as exceções no lugar. Responde como: em que ordem, com que conferência, em que formato. Por isso não carrega o que muda toda semana (status, clientes do mês, o que já se decidiu). A norma que o passo a passo manda consultar vai junto, na gaveta.
O teste é a frase: ela descreve o trabalho de agora ou manda fazer alguma coisa? A que descreve vai para o projeto; a que manda fazer, para a skill.
Onde cada coisa mora, no mapa completo: onde a regra mora.
Quem diz que conferiu o estoque mostra a contagem com o código de cada item; “está tudo certo” não prova que alguém foi ao depósito. Aqui, uma contratação de acabamento especial, estimada em R$ 3.200. Pela regra geral, abaixo de cinco mil, basta uma proposta e o comprador aprova. Pelo anexo de exceções, que ninguém abre há dois anos, é outra coisa. Nenhuma linha do passo a passo mudou entre os dois lados.
De onde saiu cada regra que você acabou de aplicar? Diga a seção ou o item do documento em cada uma. Se alguma coisa você respondeu sem estar no documento, diga isso com todas as letras.
Ela escreve bem com ou sem o anexo aberto. Um código de item só existe dentro do documento: é por isso que a citação prova e a resposta bonita não. Mais em resposta ancorada.
A melhor receita da cozinha industrial não nasce numa reunião: nasce do cozinheiro que fez o prato, acertou o sal e só depois escreveu. A sua área já escreveu quase todos os procedimentos: norma, checklist, o passo a passo que você explicou para quem entrou. O caminho que funciona é fazer a tarefa uma vez, junto com a IA, e só depois empacotar o que deu certo.
“Faltou o frete.” “Põe em preço por milheiro.” Vá até a resposta ficar do jeito que você entregaria. As correções são o material da skill.
Na mesma conversa. Mandar listar as correções antes de escrever é o que impede metade delas de sumir.
Peça uma tarefa parecida com as palavras do dia a dia. Se ela não entrar, o defeito está na etiqueta, não no passo a passo.
O passo 03 prova que ela abre, não que ela melhora. Rode o mesmo pedido com a skill e sem ela, e escolha qual resposta você mandaria. Os casos que ela ainda não resolve ficam listados, para ninguém confiar nela onde não serve.
Empacote tudo que fizemos nesta conversa numa skill. Antes de escrever, me mostre em lista: quais foram as correções que eu fiz ao longo da conversa, e quais regras saem de cada uma. Quero conferir se você pegou todas. Depois monte a skill assim: 1. Um nome curto, em minúsculas e com hífen, dizendo a tarefa. 2. Uma descrição que diga o que ela faz E quando usar, incluindo as palavras que eu usaria no dia a dia para pedir isso. 3. O passo a passo na ordem em que a tarefa acontece de verdade, com as exceções no lugar certo. 4. Uma seção final com os erros que essa tarefa costuma ter. Não invente regra que eu não disse. Se faltar alguma decisão, pergunte antes de escrever.
É instrução que ela vai seguir, com os seus arquivos ao alcance. Ou veio de fonte confiável, ou você leu o arquivo inteiro antes de instalar.
Uma skill que monta a pauta não passa a aprovar parada de máquina. O documento continua sendo lido; quem assina continua sendo quem assinava.
Toda vez que você mexer na saída à mão, diga o que mudou e peça para atualizar a skill. Umas três correções depois, ela faz do seu jeito.
Um bom procedimento operacional diz, além dos passos, onde parar para a assinatura do chefe, o que nunca se muda e o que é decisão de outro setor. Na skill, o passo a passo diz como fazer. Uma skill que roda toda semana precisa de mais quatro partes, e é nelas que moram as correções que você não quer fazer de novo. Clique em cada parte.
O reflexo é mandar consertar. Pergunte antes o motivo, e só peça análise: a resposta mostra de qual parte da skill o erro saiu. Aí a correção vai para essa parte, com o que você esperava e o que veio, em vez de virar mais uma regra solta no fim.
1 · Só o diagnóstico Por que você fez isto aqui: [cole o trecho da saída]? Não corrija nada ainda. Só analise: qual parte da skill levou a esse resultado? 2 · A correção Eu esperava [o que você esperava]. Veio [o que veio]. Atualize a skill para isso não se repetir, e me mostre a linha que mudou.
Se você usa a IA numa pasta: a skill mora numa pasta do projeto e, quando a pasta já tem a receita num arquivo, aponta para ele em vez de copiar os passos. Como ela conversa com o manual e a memória da pasta está na família Claude Code.
É isso que deixa ter quarenta skills sem pesar, e é por isso que a etiqueta decide tudo.
O documento que a área já tem vai para a gaveta como está. O resumo é onde a exceção some.
A resposta boa não prova que ela abriu o anexo. O número do item prova.
Simplificação didática. O nome do recurso, o formato do arquivo e o lugar onde ele fica guardado mudam entre ferramentas e versões; nome, etiqueta, passo a passo e gavetas continuam. As skills, a política e os valores são exemplos inventados. Família assistente; irmãs: resposta ancorada, onde a regra mora, time de assistentes.