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JSON

A ficha que os sistemas trocam, e por que ela precisa dizer se cada coisa é palavra ou quantidade

Quando um sistema manda informação para outro, ela não vai solta: vai numa ficha com linhas, cada linha com um nome e um valor. O formato dessa ficha é o mesmo no mundo inteiro, e se chama JSON. Você não precisa escrevê-lo do zero. Precisa saber lê-lo, porque é nele que aparece o erro que deixa tudo verde e o resultado errado.

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A ficha

Preencha a ficha e veja a máquina escrevê-la

É como a ficha de cadastro de uma recepção: linhas impressas (o nome do campo, que nunca muda) e o que você escreve ao lado (o valor, que muda a cada pessoa). Tem uma linha onde cabe mais de uma coisa, e um quadrinho separado para o endereço. Preencha os campos da ficha.

guardar como
Já é cliente?
Interesses (cabe mais de um)
O quadrinho do endereço
A mesma ficha, em JSON

      
"campo""palavra"quantidadetrue / false

O nome do campo fica à esquerda dos dois pontos, o valor à direita. E repare: o nome tem aspas, a idade não.

Cinco tipos de linha

Quase toda linha da ficha é de um destes cinco tipos

Num formulário impresso, nem todo espaço é igual: tem o de escrever o nome, o de valor em reais, o de marcar sim ou não. O JSON separa do mesmo jeito. Você não precisa decorar os nomes em inglês que a ferramenta (o programa de automação onde você vê o JSON) mostra. Precisa reconhecê-los quando aparecerem, e saber que o primeiro é palavra e o segundo é quantidade. Clique em cada um.

Texto ou número

A única regra: eu somaria dois desses?

É a mesma diferença entre o ramal e o saldo: os dois são números, mas só um entra na soma do mês. CPF, CEP, telefone e número do pedido são feitos de algarismos, e ninguém soma dois deles: são etiqueta, e etiqueta é palavra. Idade, preço e dias de atraso, somados, significam alguma coisa: são quantidade. O computador não consegue decidir isso sozinho; quem decide é você, pelo uso. Classifique os oito.

Quando 10 + 5 dá 105

Somar duas palavras cola uma na outra

É o que acontece quando a planilha recebe valores colados como texto: a soma do rodapé sai errada, e ninguém percebe de cara. Se um sistema manda o valor como palavra, o próximo passo (a etapa seguinte da automação) não faz conta: junta os pedaços. E a comparação "maior que 18" nem começa. Mude os valores e o tipo de cada um.


    
A + B
A é maior que 18?

A mensagem da comparação é a que as ferramentas mostram de verdade, em inglês: '32' is a string but was expecting a number, ou seja, "esperava uma quantidade e recebeu uma palavra". A saída é converter antes, e a conversão é um passo, não um palpite.

Ficha dentro da ficha

Para chegar num valor, vá de fora para dentro, separando por ponto

Pense no endereço de uma correspondência interna: prédio, andar, sala, mesa. Cada nível fica dentro do anterior, e se faltar um, a carta não chega. Um pedido de uma loja tem o cliente, e o cliente tem o endereço. Os itens são uma lista, e cada item é uma ficha. Abra e feche as partes, e clique num valor para ver o caminho até ele. É a mesma lógica de pasta dentro de pasta no computador.

Na lista, a contagem começa do zero: o primeiro item é itens[0]. E se o quadrinho de dentro não existir num cadastro, o caminho inteiro quebra naquele ponto.

Tudo chega em lista

Três fichas numa lista, e o passo que roda três vezes

É a mala direta do editor de texto: uma carta-modelo, uma planilha com 50 nomes, e sai uma carta para cada linha, sem ninguém mandar repetir. Uma planilha de 50 linhas chega ao passo seguinte como uma lista de 50 fichas, e o passo roda uma vez para cada uma, sozinho. Mesmo quando aparece "1 item", ele está dentro de uma lista. Troque a visão e rode o passo.

Passo: "Olá, {nome}! Seu cargo é {cargo}."

A tabela arruma para ficar bonito, e nesse arrumar as aspas e o quadrinho de dentro somem. Quando algo der errado, olhe o JSON.

Juntar antes de enviar

Rodar uma vez por ficha é ótimo para escrever. É péssimo quando o passo seguinte é enviar: três fichas viram três mensagens para o mesmo gerente, e uma planilha de 300 linhas vira 300 e-mails. Antes de enviar, junte as fichas de volta numa lista só. Compare.

Mensagens para o gerente

Quando algo sai repetido ou some, a primeira pergunta é quantos itens chegaram neste passo? Se um passo não deve repetir de jeito nenhum (mandar o resumo, avisar o gerente), muitas ferramentas têm a opção de rodar uma vez só. Ir um item por vez a ferramenta já faz sozinha; pausa entre um e outro só quando o outro lado limita o ritmo, como em faça um pedido.

O erro que não avisa

Tudo verde, e o resultado errado

É como o boleto pago com o valor errado: o banco aceita, o comprovante sai, e o problema só aparece no fechamento do mês. Erro que aparece é fácil: a ferramenta avisa e você conserta. O caro é o que passa calado: o e-mail vai para quem não devia, o cliente satisfeito cai na lista dos insatisfeitos. Quase sempre é a regra das aspas aparecendo de outro jeito. Abra cada cartão.

Pedir para a IA

Ninguém escreve essa ficha do zero

Funciona como contrato de aluguel: ninguém redige do zero, pede um modelo e confere as cláusulas que importam. Com o JSON, nem quem programa escreve do zero. O que se faz é descrever em português o que você quer guardar, pedir para a IA montar o formato, e conferir a resposta olhando as aspas. Dois pedidos prontos: um para montar, outro para quando a ferramenta recusar. Veja também como escrever pedidos na página Prompt.

O que conferir antes de usar a resposta

Num fluxo, a IA também pode responder nesta ficha, se você pedir o formato: sem ele vem um parágrafo, que você lê e o passo seguinte não consegue usar. Como chegar a esse formato está em uma linha por vez. Escolheu o nome de uma chave, fique nele: se hoje vem valor e amanhã valor_total, o passo seguinte deixa de achar, sem avisar.

Para levar

Três ideias

Palavra com aspas, quantidade sem

É a regra inteira. Sim e não viram true e false, também sem aspas.

Eu somaria dois desses?

Se a soma não significa nada, é palavra, mesmo escrita com algarismos.

A tabela arruma; o JSON conta

Quando o resultado sair errado sem erro nenhum, abra o JSON do passo anterior e olhe as aspas primeiro.

JSON
O formato de ficha que os sistemas usam para trocar informação: nome do campo, dois pontos, valor.
Campo (chave)
O nome da linha, à esquerda dos dois pontos. Não muda de uma ficha para outra.
Valor
O que foi preenchido, à direita dos dois pontos.
Palavra (string)
Texto, sempre entre aspas: nome, cidade, código, telefone.
Quantidade (number)
Número de fazer conta, sem aspas: idade, preço, dias.
Sim ou não (boolean)
Só dois valores, true e false, sem aspas.
Lista (array)
Vários valores numa linha só, entre colchetes. A contagem começa do zero.
Ficha dentro (object)
Um quadrinho com linhas próprias, entre chaves. Chega-se nele com ponto: endereco.cidade.
Vazio (null)
Nada preenchido. Não é zero, e comparado com um número dá sempre falso.

Simplificação didática. As fichas, nomes e pedidos são fictícios. O formato JSON tem mais detalhes do que os mostrados aqui; os cinco tipos e a regra das aspas cobrem o que aparece no dia a dia de quem monta automação. Os nomes em inglês entre parênteses são os que as ferramentas costumam mostrar.