A ficha que os sistemas trocam, e por que ela precisa dizer se cada coisa é palavra ou quantidade
Quando um sistema manda informação para outro, ela não vai solta: vai numa ficha com linhas, cada linha com um nome e um valor. O formato dessa ficha é o mesmo no mundo inteiro, e se chama JSON. Você não precisa escrevê-lo do zero. Precisa saber lê-lo, porque é nele que aparece o erro que deixa tudo verde e o resultado errado.
É como a ficha de cadastro de uma recepção: linhas impressas (o nome do campo, que nunca muda) e o que você escreve ao lado (o valor, que muda a cada pessoa). Tem uma linha onde cabe mais de uma coisa, e um quadrinho separado para o endereço. Preencha os campos da ficha.
O nome do campo fica à esquerda dos dois pontos, o valor à direita. E repare: o nome tem aspas, a idade não.
Num formulário impresso, nem todo espaço é igual: tem o de escrever o nome, o de valor em reais, o de marcar sim ou não. O JSON separa do mesmo jeito. Você não precisa decorar os nomes em inglês que a ferramenta (o programa de automação onde você vê o JSON) mostra. Precisa reconhecê-los quando aparecerem, e saber que o primeiro é palavra e o segundo é quantidade. Clique em cada um.
É a mesma diferença entre o ramal e o saldo: os dois são números, mas só um entra na soma do mês. CPF, CEP, telefone e número do pedido são feitos de algarismos, e ninguém soma dois deles: são etiqueta, e etiqueta é palavra. Idade, preço e dias de atraso, somados, significam alguma coisa: são quantidade. O computador não consegue decidir isso sozinho; quem decide é você, pelo uso. Classifique os oito.
É o que acontece quando a planilha recebe valores colados como texto: a soma do rodapé sai errada, e ninguém percebe de cara. Se um sistema manda o valor como palavra, o próximo passo (a etapa seguinte da automação) não faz conta: junta os pedaços. E a comparação "maior que 18" nem começa. Mude os valores e o tipo de cada um.
A mensagem da comparação é a que as ferramentas mostram de verdade, em inglês: '32' is a string but was expecting a number, ou seja, "esperava uma quantidade e recebeu uma palavra". A saída é converter antes, e a conversão é um passo, não um palpite.
Pense no endereço de uma correspondência interna: prédio, andar, sala, mesa. Cada nível fica dentro do anterior, e se faltar um, a carta não chega. Um pedido de uma loja tem o cliente, e o cliente tem o endereço. Os itens são uma lista, e cada item é uma ficha. Abra e feche as partes, e clique num valor para ver o caminho até ele. É a mesma lógica de pasta dentro de pasta no computador.
Na lista, a contagem começa do zero: o primeiro item é itens[0]. E se o quadrinho de dentro não existir num cadastro, o caminho inteiro quebra naquele ponto.
É a mala direta do editor de texto: uma carta-modelo, uma planilha com 50 nomes, e sai uma carta para cada linha, sem ninguém mandar repetir. Uma planilha de 50 linhas chega ao passo seguinte como uma lista de 50 fichas, e o passo roda uma vez para cada uma, sozinho. Mesmo quando aparece "1 item", ele está dentro de uma lista. Troque a visão e rode o passo.
A tabela arruma para ficar bonito, e nesse arrumar as aspas e o quadrinho de dentro somem. Quando algo der errado, olhe o JSON.
Juntar antes de enviarRodar uma vez por ficha é ótimo para escrever. É péssimo quando o passo seguinte é enviar: três fichas viram três mensagens para o mesmo gerente, e uma planilha de 300 linhas vira 300 e-mails. Antes de enviar, junte as fichas de volta numa lista só. Compare.
Quando algo sai repetido ou some, a primeira pergunta é quantos itens chegaram neste passo? Se um passo não deve repetir de jeito nenhum (mandar o resumo, avisar o gerente), muitas ferramentas têm a opção de rodar uma vez só. Ir um item por vez a ferramenta já faz sozinha; pausa entre um e outro só quando o outro lado limita o ritmo, como em faça um pedido.
É como o boleto pago com o valor errado: o banco aceita, o comprovante sai, e o problema só aparece no fechamento do mês. Erro que aparece é fácil: a ferramenta avisa e você conserta. O caro é o que passa calado: o e-mail vai para quem não devia, o cliente satisfeito cai na lista dos insatisfeitos. Quase sempre é a regra das aspas aparecendo de outro jeito. Abra cada cartão.
Funciona como contrato de aluguel: ninguém redige do zero, pede um modelo e confere as cláusulas que importam. Com o JSON, nem quem programa escreve do zero. O que se faz é descrever em português o que você quer guardar, pedir para a IA montar o formato, e conferir a resposta olhando as aspas. Dois pedidos prontos: um para montar, outro para quando a ferramenta recusar. Veja também como escrever pedidos na página Prompt.
true e false, e não como "sim" e "não" entre aspas?Num fluxo, a IA também pode responder nesta ficha, se você pedir o formato: sem ele vem um parágrafo, que você lê e o passo seguinte não consegue usar. Como chegar a esse formato está em uma linha por vez. Escolheu o nome de uma chave, fique nele: se hoje vem valor e amanhã valor_total, o passo seguinte deixa de achar, sem avisar.
É a regra inteira. Sim e não viram true e false, também sem aspas.
Se a soma não significa nada, é palavra, mesmo escrita com algarismos.
Quando o resultado sair errado sem erro nenhum, abra o JSON do passo anterior e olhe as aspas primeiro.
endereco.cidade.Simplificação didática. As fichas, nomes e pedidos são fictícios. O formato JSON tem mais detalhes do que os mostrados aqui; os cinco tipos e a regra das aspas cobrem o que aparece no dia a dia de quem monta automação. Os nomes em inglês entre parênteses são os que as ferramentas costumam mostrar.