R. LimaConceitos de IARafael Lima Instagram · @iacomrafael ↗
Visão geral

Agente

O que muda quando o modelo ganha ferramentas, memória e um objetivo

Uma LLM (o modelo de linguagem, o motor que escreve as respostas no chat que você usa) recebe texto e devolve texto. Um agente é a mesma LLM com três coisas a mais: ferramentas para agir, memória para lembrar e um objetivo para saber quando terminou. Ele não segue um roteiro fixo: decide o próximo passo, faz, olha o resultado e decide de novo. E a maior parte do trabalho com IA não precisa dele.

O mapa da família

O agente por dentro, e quanto soltar

Esta página é a visão geral: o que muda quando o modelo ganha ferramentas, memória e um objetivo, e quando isso vale a pena. A primeira página abaixo abre o agente em quatro peças, para achar em qual delas ele falha. A segunda decide, tarefa por tarefa, quanto ele faz sozinho.

6.1 · Anatomia · 1 de 2

Anatomia do agente

Quatro peças: o modelo, a instrução, a memória e as ferramentas. Todo agente que falha, falha em uma delas.

Lá você encontra
  • onde está o defeito
  • a memória
  • as ferramentas
abrir 6.1 →
6.2 · Quanto faz sozinha · 2 de 2

Quanto a IA faz sozinha

Quanto soltar depende do custo do erro e de quantas vezes ela já acertou com você olhando. O último passo que não volta fica com você.

Lá você encontra
  • custo do erro × confiança
  • cinco brechas num pedido agendado
  • as perguntas antes de soltar
abrir 6.2 →
Responder ou agir

O mesmo pedido, com e sem as mãos

Pense numa secretária sem acesso à agenda: ela pode responder “marcado!” com toda a educação, e nada entra na agenda. Aqui, o modelo é sempre o mesmo. Ligue e desligue as três coisas que fazem dele um agente e mande o mesmo pedido de novo. Repare no que acontece quando ele não tem ferramenta: ele escreve a frase de quem fez, e não faz.

Mande um pedido

As linhas em formato de código, como busca_cliente("Souza"), são o modelo escrevendo o pedido para o sistema: o nome da ferramenta e, entre parênteses, o que procurar ou criar.

Sem ferramenta ela promete. Com ferramenta ela faz. Com objetivo ela sabe o que conferir antes.

As voltas do agente

Pensar, agir, observar, e de novo

É o estagiário que resolve uma pendência ligando para um setor, ouvindo a resposta e decidindo para quem ligar depois: ninguém deu a ele a lista de ligações, só o objetivo. Um fluxo comum (a sequência de passos de uma automação) segue os passos que alguém desenhou. O agente decide quantas voltas dar: pensa, pede uma ferramenta, lê o que voltou e decide se já dá para responder. Esse ciclo se chama laço, e cada volta dele é uma chamada ao modelo: uma ida e volta de texto, que tem preço e tempo. Siga o pedido “o cliente Souza já recebeu a proposta? Se não, mande hoje”.

Passo 1 de 7 chamadas ao modelo: 0
O laço do agente: pedido, pensar, agir, observar e volta a pensar, até sair a resposta PEDIDOo que você quer PENSARo modelo decide AGIRa ferramenta roda OBSERVARo resultado volta RESPOSTAobjetivo cumprido pede a ferramenta e decide de novo já dá para responder
Quando o laço para

A máquina de lavar para quando o ciclo de uma hora acaba, não quando a mancha sai: ela para pelo esforço. Um laço bem montado para pelo resultado, e por isso tem duas saídas: deu certo, ou bateu no teto de voltas. O teto é o número máximo de tentativas que você fixa antes de ligar o agente. Quando chega nele, o agente para e conta onde travou, em vez de girar sem fim. Veja o mesmo envio da proposta terminando de três jeitos.

    Quem executa a ferramenta não é o modelo: é o sistema em volta dele, que se chama harness. O modelo só escreve o pedido. Isso está desenhado em LLM e harness.

    Chat, assistente, agente

    Três jeitos de usar o mesmo modelo

    É como passar trabalho a alguém de três jeitos: explicar tudo do zero a um freelancer a cada pedido, dar a um funcionário o manual com o modelo do relatório, ou dar a ele também as senhas dos sistemas. Entre o chat solto e o agente existe um degrau que quase todo mundo já usa: a conversa preparada, com papel e material salvos, onde o pedido vira uma frase. Ela ainda não age fora da conversa. Clique em cada degrau.

    Quanto você aprova

    Os degraus dizem até onde a IA alcança. Dentro do degrau do agente existe um segundo eixo: quanto do trabalho passa pela sua aprovação. O mesmo agente pode parar antes de cada ação para você dizer “pode”, ou rodar do pedido ao fim e entregar pronto.

    Precisa de agente?

    A pergunta que decide: ela precisa agir em algum lugar?

    Para revisar um contrato que já está na sua mesa, ninguém contrata um despachante: ele só entra quando alguém precisa ir ao banco, ao fornecedor, à prefeitura. Se a tarefa é transformar um texto que já chegou (tirar dados, pôr num balde, encurtar, ler o tom), um passo simples de IA (um único pedido ao modelo, sem ferramenta) resolve, mais barato e mais previsível. Agente é para quando é preciso buscar, mexer em sistema ou conversar lembrando. Classifique as seis.

    O mesmo atendimento, montado dos dois jeitos

    Um cliente escreve perguntando o prazo para trocar um produto. Dá para montar a resposta como agente, que decide sozinho ir buscar a regra no documento de políticas da empresa, ou como fluxo fixo (passos desenhados por alguém, sempre na mesma ordem). No fluxo, a busca vira um passo comum, e a IA já recebe a regra servida junto com a pergunta: só precisa escrever.

    Como agente
    1. chamada 1: lê o e-mail e decide buscar a regra
    2. ferramenta: busca no documento de políticas e devolve o trecho de troca
    3. chamada 2: lê o trecho e decide responder
    4. ferramenta: envia a resposta ao cliente
    5. chamada 3: vê que enviou e encerra

    3 chamadas ao modelo

    Como fluxo fixo
    1. passo fixo: chega o e-mail
    2. passo fixo: busca no documento o trecho sobre troca
    3. chamada 1: a IA recebe a pergunta e o trecho, e escreve a resposta
    4. passo fixo: envia a resposta

    1 chamada ao modelo

    Neste atendimento os passos são sempre os mesmos: chega, busca, escreve, envia. Se não há decisão a tomar, deixar a IA decidir só abre espaço para ela errar. Além de custar menos chamadas (a conta está em quanto custa cada volta), o fluxo fixo tem três vantagens:

    Confiável
    Não sai do trilho: os mesmos passos, na mesma ordem, toda vez.
    Erro fácil de achar
    Quando algo quebra, você vê em qual passo parou.
    Cresce sem desandar
    No agente, cada ferramenta nova engorda a instrução, e as primeiras podem parar de funcionar direito.
    IA sem agente

    Quatro trabalhos que só transformam o que já chegou

    Lembra o trabalho da triagem do correio interno: abrir o envelope, anotar remetente e valor, separar por setor, resumir para o chefe. Tudo acontece com o papel que já chegou. Cada um faz uma coisa só, sempre do mesmo jeito, sem laço e sem inventar ação. Clique para ver o que entra, o que sai e onde cada um tropeça. O quinto é o único que pede agente.

    Quanto custa cada volta

    Cada volta do laço é mais uma chamada ao modelo

    Funciona como o motoboy pago por corrida: uma entrega é uma corrida; um recado que exige ir, voltar com a resposta e ir de novo são três. Um passo simples chama o modelo uma vez. O agente chama uma vez para decidir e mais uma a cada ferramenta que resolve usar. Em teste, ninguém sente. Em volume, aparece na conta e no tempo de espera.

    3
    200
    Chamadas ao modelo por dia Barras comparando as chamadas ao modelo de um passo simples e de um agente UM PASSO SIMPLES 200 AGENTE 800

    A conta mostra a forma, não a medida: cada chamada tem preço e tempo diferentes conforme o modelo e o tamanho do texto.

    Cada volta também é mais uma chance de errar, e os erros se multiplicam. Se o modelo acerta 9 em cada 10 decisões, dois passos seguidos saem certos 81 vezes em 100; cinco passos, cerca de 59 (0,9 multiplicado por ele mesmo cinco vezes). O remédio é tirar da decisão do modelo o que precisa sair sempre igual: a busca e a regra viram passo fixo, como no atendimento montado dos dois jeitos; a conta vira um script, um pequeno programa que calcula sempre igual (onde ele pode morar).

    Decisões em fila
    5
    Antes de montar

    Três perguntas, e só uma precisa ser sim

    É o checklist que o gestor passa antes de abrir uma vaga nova: se a tarefa cabe em quem já está no time, a vaga não abre. Agente é o certo quando pelo menos uma destas é sim. Se as três são não, use um passo simples de IA. Leve a lista para a próxima vez que alguém disser “vamos colocar um agente”.

    Pergunta de bolso
    Isto precisa de agente?
    
    1. Ela precisa AGIR em algum sistema fora da conversa?
       (buscar na planilha, criar evento, mandar e-mail, consultar o pedido)
    2. É uma CONVERSA de várias mensagens, em que ela precisa lembrar o que foi dito?
    3. Os passos MUDAM a cada caso, sem dar para prever quantos nem em que ordem?
    
    Três "não": um passo simples de IA resolve (extrair, classificar, resumir, ler o tom).
    Algum "sim": agente. Comece com uma ferramenta, teste, e só depois some a próxima.

    Quer ver as quatro peças por dentro, e o que quebra quando falta cada uma? Está em Anatomia do agente. O agente também costuma morar dentro de uma automação maior: Pensar como automação.

    Para levar

    Três ideias

    Agente é LLM com mãos

    Ferramentas para agir, memória para lembrar e um objetivo para saber quando parar. Sem ferramenta, ele só promete.

    Ele decide as voltas

    Pensa, age, observa e decide de novo. Por isso resolve o imprevisto, e por isso custa mais.

    Quase tudo cabe sem agente

    Extrair, classificar, resumir e ler o tom transformam o texto que já chegou. Um passo simples faz melhor.

    Agente
    Modelo de linguagem com ferramentas, memória e objetivo, que decide sozinho o próximo passo até cumprir a tarefa.
    Ferramenta
    Algo que o agente pode pedir para executar: ler uma planilha, criar um evento, mandar um e-mail.
    Laço
    O ciclo pensar, agir, observar, que se repete até o agente decidir que já dá para responder.
    Passo simples
    Uma única chamada ao modelo que transforma um texto: extrai, classifica, resume ou lê o tom.

    Simplificação didática. Cada ferramenta de automação e cada aplicativo chama estas peças por um nome diferente; os nomes de ferramenta nos exemplos são ilustrativos. As barras de chamadas mostram a forma, não a medida. O teto de três tentativas e as contagens do atendimento montado dos dois jeitos são de exemplo: quem monta o agente escolhe o próprio teto. Os 90% de acerto por passo são um número ilustrativo; o resto é conta (0,9 multiplicado cinco vezes dá cerca de 0,59).