Mandar só o número deixa quem decide com o trabalho mais difícil: dizer o que ele quer dizer e o que fazer
A análise terminou e os números estão certos. Falta o que o gestor vai ler: um texto curto que diga o que os dados mostram, o que isso quer dizer e o que precisa acontecer. A IA escreve esse texto em segundos. Também escreve, com a mesma rapidez, a versão que abre com “Com base nos dados fornecidos” e não pede nada a ninguém. Esta página mostra como pedir a primeira, quando o texto precisa informar e quando precisa convencer, e o que conferir antes de enviar.
O contador que manda o balancete sem uma linha de comentário deixa o dono da empresa adivinhando se o mês foi bom. Com a análise feita pela IA acontece igual: a nota está certa, e ninguém sabe o que fazer com ela. A frase que serve tem quatro coisas: o número, o grupo onde ele dói, a causa e a ação. Compare as duas versões da mesma notícia.
O grupo é o que a análise chama de segmento: um corte das linhas da planilha com algo em comum, como o canal por onde o cliente agendou. Como achar esse corte está em analisar planilha.
O laudo do médico não para no resultado do exame: diz o que o resultado indica e o que você faz a seguir. O resultado de uma análise se escreve na mesma ordem. Situação é o que os dados mostram. Interpretação é o que isso quer dizer: o problema, quem foi afetado e a causa. Implicação é o que precisa acontecer, e quem precisa entrar. Avance e veja cada parágrafo nascer da análise.
Se a causa ainda é suspeita, ela não entra como fato no parágrafo 2: ou vai escrita como suspeita, ou você testa antes. Como testar está em pesquisa com hipótese.
Quem já recebeu e-mail começando com “Venho por meio deste” sabe que a primeira linha gastou a atenção e não disse nada. Pedir “resuma a análise para a diretoria” devolve exatamente isso: “Com base nos dados fornecidos, observa-se um cenário desafiador”. O pedido que funciona fixa os três parágrafos, um teto de palavras (o máximo que o texto pode ter) e as aberturas proibidas, e diz o que o leitor precisa conseguir fazer depois de ler. Monte o seu.
A última linha do pedido descreve o que o leitor consegue fazer quando o e-mail estiver pronto. É o jeito de dizer o que você quer ver em vez de ditar cada passo: mais em prompt. Se o e-mail voltar vago, responda na mesma conversa: “No parágrafo 2, cite o grupo afetado, a nota dele contra a dos demais e a causa com nome.”
O relatório mensal da frota e o pedido de verba para trocar três caminhões usam os mesmos números, mas um termina em “fica registrado” e o outro em “preciso da sua assinatura”. Para informar, a estrutura de relatório basta: o que aconteceu, o que isso quer dizer, a ação. Para convencer, a ordem muda: situação, complicação, pergunta e resposta, com a resposta abrindo a apresentação. O critério: se o próximo passo depende de alguém aprovar, é convencer. O mesmo caso, nos dois jeitos.
As duas estruturas têm sigla conhecida. A de relatório aparece como OIA: observação, insight (o que o dado quer dizer) e ação. A de convencer, como SCQA: as iniciais, em inglês, de situação, complicação, questão e resposta. Na hora de pedir, elas entram em lugares diferentes: a de relatório vai na tarefa (você pede que a IA organize assim); a de convencer vai no contexto (você já escreve o argumento, e ela monta a apresentação em cima dele).
Vou te dar o argumento pronto. Organize uma apresentação de no máximo 8 slides para pedir uma aprovação. Situação (o que todos já sabem): [ex.: a pesquisa de atendimento é trimestral e a meta é 7,0] Complicação (o que mudou ou está errado): [ex.: quem agendou por telefone deu 4,1, porque a agenda do telefone não vê os horários do site] Pergunta (a que isso leva): [ex.: como evitar que a campanha de novembro repita isso?] Resposta (o que eu recomendo): [ex.: integrar as duas agendas antes da campanha; preciso do OK até dia 15] O primeiro slide é a resposta. Os seguintes constroem o argumento, cada um com um título que já diz a conclusão. Não deixe a recomendação para o último slide. Use só os números que estão acima. Se faltar um, escreva [FALTA: ...] no lugar. Está pronto se quem aprova ler só o primeiro slide e souber o que eu peço e por que é urgente.
Quem folheia o jornal pela manchete sabe o que aconteceu sem ler matéria nenhuma; uma manchete que diz só “Economia” não conta nada. O título de slide funciona igual, e o gestor costuma ler os títulos antes de ouvir você. O teste: leia só os títulos, em sequência. Se o problema, a causa e o que fazer ficam claros, estão certos. Título bom tem um número, uma comparação ou uma consequência. Troque os títulos da mesma apresentação.
A simulação procura algarismo, comparação (uma palavra como “contra”, ou dois números) e palavra de consequência. É uma versão tosca do teste de verdade, que é perguntar: depois de ler o título, o gestor sabe algo que não sabia? Se o título pode ser trocado por “Análise de X”, ainda é rótulo.
| Área | Título de assunto | Título de conclusão |
|---|---|---|
| Financeiro | Receita do trimestre | Receita subiu 8%, e a margem caiu pelo terceiro trimestre seguido |
| Comercial | Análise do funil | 6 em cada 10 contatos se perdem na proposta, não na primeira conversa |
| RH | Processo seletivo | 4 em cada 10 candidatos desistem antes da entrevista técnica |
| Compras | Avaliação de fornecedores | O fornecedor B custa R$ 14 a mais por pessoa e não atrasou nenhuma entrega |
Leia só os títulos dos slides, em sequência, sem o conteúdo de nenhum. 1. Escreva em três linhas o que alguém entenderia só por eles: qual é o problema, qual é a causa, o que vai ser feito. 2. Aponte todo título que diz só o assunto (como "Análise de X", "Resultados" ou "Próximos passos"). 3. Reescreva esses títulos para que digam a conclusão, com um número, uma comparação ou uma consequência que já esteja no conteúdo do slide. Não invente número para caber no título.
Na agência, o redator fecha o texto antes de o diagramador abrir o arquivo; quando quem diagrama também escreve, sai bonito e vazio. Com a IA vale o mesmo. Primeiro, numa conversa, ela escreve o roteiro: o título de cada slide, dois ou três pontos e o tipo de gráfico. Só depois o roteiro vai para a ferramenta que faz o visual. E o que volta passa por duas conferências: os títulos sobreviveram? Os números continuam lá? Ferramenta de slide costuma reescrever título e enxugar ponto, e o enxugado quase sempre é o número.
Na conversa da análise. Títulos de conclusão, pontos curtos, o gráfico sugerido. Passe o teste dos títulos aqui, antes de qualquer cor.
Cole o roteiro inteiro e peça que o texto seja mantido como está. O trabalho dessa etapa é a forma, não o conteúdo.
Leia de novo só os títulos. Depois procure, slide a slide, cada número do roteiro.
Compare o texto destes slides com o roteiro que eu aprovei, que vai abaixo. 1. Liste todo título que mudou, e o título do roteiro que ele substituiu. 2. Liste todo número do roteiro que sumiu ou mudou de valor. 3. Devolva o texto dos slides com os títulos e os números do roteiro restaurados. O resto pode ficar como está. [cole o roteiro] [cole o texto dos slides]
Antes de assinar o ofício, a secretária confere o valor por extenso contra a planilha, e não contra a memória. Na hora de escrever bonito, a IA completa: arredonda, generaliza, traz uma comparação com o ano passado que ninguém calculou. Sai no mesmo tom das frases certas. Abaixo, a análise e um e-mail que voltou. Clique nas frases que não dá para defender com a análise, e depois confira.
| Respostas | 1.400 clientes, pesquisa do trimestre |
| Nota de atendimento | 5,8 · meta 7,0 |
| Por canal | telefone 4,1 (640 clientes) · site 7,2 (760) |
| Comentário mais citado | “cheguei e o horário já estava ocupado”, o mais citado entre quem ligou |
| Causa | a equipe confirmou: a agenda do telefone não mostra os horários marcados pelo site |
| O que você precisa | o OK da TI até dia 15, antes da campanha de novembro |
Releia o texto frase por frase e compare com a análise desta conversa. Para cada frase, diga uma destas três: (a) está na análise, com o mesmo número; (b) está na análise, mas mudou: arredondou, generalizou, virou certeza ou trocou o grupo; (c) não está na análise. Não reescreva nada ainda. Só a lista, com a frase e a letra.
Os números do texto vêm da análise, e cada um deles precisa ter endereço lá: como pedir isso está em analisar planilha. A conferência rápida de fonte, número e consistência, e quanto pesa o erro, está em alucinação.
Situação, interpretação e implicação. Entregar só a primeira deixa com quem lê o trabalho mais difícil.
Leia só os títulos, em sequência. Se o problema, a causa e a ação não aparecem, ainda é rótulo.
Argumento primeiro, aparência depois, e todo número do texto final está na análise.
Simplificação didática. As estruturas de informar e de convencer têm várias versões e nomes; o que importa é a ordem das perguntas, e o teto de palavras é uma escolha sua, não uma regra fixa. A rede que agenda por telefone e pelo site, as notas, os 1.400 e os 640 clientes, o prazo, o custo, os títulos e os casos do quiz são inventados para o exemplo; os pares de títulos de outras áreas foram adaptados de exercícios de aula, com números de exercício. Família Trabalhar com dados; irmãs: analisar planilha, pesquisa com hipótese.