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Handoff

Fechar a sessão deixando por escrito o que a próxima precisa saber, antes de a conversa degradar

A conversa acaba; o trabalho, não. Cada rodada de trabalho numa conversa, do começo ao fim, é uma sessão. Handoff (em inglês, a passagem de bastão) é o gesto de encerrar escrevendo: o que foi decidido, onde o trabalho está, qual é o próximo passo e o que ainda espera decisão. No chat, vira um bloco para colar na conversa nova. No Claude Code, que é o Claude trabalhando dentro de uma pasta do seu computador, vira um arquivo que a próxima conversa lê sozinha. Nos dois casos, você troca de conversa na hora certa, e não quando ela já piorou.

Encerrar por escrito

A sessão termina, e o que ela decidiu fica num lugar que a próxima lê

Na central de atendimento, quem sai do turno deixa escrito o que ficou pendente para quem entra; ninguém confia que vai lembrar de contar. O modelo (a IA que responde) não lembra de nada entre uma conversa e outra. Quem lembra é o que ficou escrito. O handoff é a última coisa que a sessão faz: reescrever o estado do trabalho para quem vem depois, que pode ser você amanhã, uma conversa nova, ou um colega.

01 · decide

Se é hora de trocar

Nem toda conversa longa pede conversa nova. O critério é a frente de trabalho (cada assunto com começo e fim: o relatório, a proposta), e ele está logo abaixo.

02 · escreve

O estado, não a história

Quatro respostas curtas. Quem lê não precisa saber como se chegou até ali; precisa saber onde está.

03 · guarda

Fora da conversa

Num bloco que você cola, ou num arquivo da pasta. Handoff que fica só na conversa some com ela.

No Claude Code, esse gesto pode ser uma skill de fim de sessão (um passo a passo guardado, que o Claude abre quando o seu pedido bate com a descrição dele): ela decide se é hora de trocar e escreve o handoff na memória do projeto, o arquivo que conta onde paramos.

A conversa longa piora

Quem só usa o chat vai até a conversa piorar, e aí recomeça do zero

Lembra da reunião de três horas em que, no fim, ninguém sabe mais o que foi combinado na primeira meia hora? Numa conversa longa, o que foi combinado no começo disputa espaço com tudo o que veio depois. Ninguém avisa: a resposta só fica um pouco pior a cada volta. O handoff troca de conversa antes disso, e sem perder nada. Arraste pelo dia de uma conversa sobre o relatório mensal de vendas.

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A forma, não a medida: nenhuma ferramenta mostra quanto o começo ainda pesa. Por que a conversa longa perde o combinado está explicado em janela de contexto (o espaço limitado que a conversa tem para guardar o que foi dito); aqui a pergunta é outra: em que ponto trocar, e quem responde é a próxima seção.

Assunto novo, conversa nova

Compactar ou abrir conversa nova

Ninguém discute o orçamento e a contratação na mesma pauta só porque a primeira reunião acabou cedo: assunto novo pede pauta nova. Compactar é pedir para a conversa se resumir dentro dela mesma, para liberar espaço e seguir no mesmo lugar. Serve quando o trabalho continua o mesmo; o resumo pode perder detalhe, por isso o que importa precisa estar escrito antes. Conversa nova com handoff é fechar esta, escrever o estado e abrir outra limpa. O critério principal: a mudança de frente, não o tamanho da conversa. Três perguntas, nesta ordem.

  1. 1

    Mudou de assunto, ou o dia acabou?O relatório fechou e agora vem a apresentação; ou é sexta, e você volta na segunda.

    simConversa nova + handoff
  2. não
  3. 2

    Mesmo assunto, e dois ajustes seguidos não pegaram?Você pediu, não saiu; pediu de outro jeito, e ainda não. A terceira tentativa carrega as duas versões erradas junto. O pedido pronto está em um bloco para a conversa nova.

    simConversa nova, com pedido melhor
  4. não
  5. 3

    Mesmo assunto, indo bem, só longa?Ou vem trabalho pesado pela frente, como comparar cinco contratos longos.

    simCompactar
  6. não
  7. Siga aqui

Agora decida você. Seis situações de uma semana comum.

Frente nova numa conversa velha arrasta contexto que não serve mais.

O que decidimos, não como foi

Quatro coisas que a próxima conversa precisa, e nenhuma delas é a história

Ata boa não transcreve a reunião: lista o que foi decidido, o que ficou pendente e quem faz o quê. Todo handoff responde quatro perguntas: o que foi decidido nesta sessão · o estado atual, pronto e pela metade · o próximo passo concreto · os fios em aberto, que esperam decisão. Abaixo, dois handoffs da mesma sessão. Alterne entre eles e ligue o marcador para ver o que a próxima conversa realmente usa.

Um bloco para a conversa nova

No chat, hoje, sem instalar nada

É o e-mail de repasse que você manda a quem vai assumir um cliente: um texto só, lido de cima a baixo, com o que é preciso para começar. Quem não usa o Claude Code faz o mesmo gesto com um prompt de continuidade (prompt é o texto que você escreve para a IA): um bloco único, pronto para colar na conversa nova, com contexto, decisões, estado e próximos passos, sem a narrativa da conversa. Preencha e veja o bloco se montar.

Para colar na conversa nova · ao vivo

    
Ou peça para ela escrever · no fim da conversa longa
Escreva um prompt de continuidade para eu colar numa conversa nova. Quatro blocos: o que decidimos, o estado atual (pronto e pela metade), o próximo passo concreto, e o que está em aberto esperando decisão. Sem narrar a conversa: só o que a próxima precisa para continuar. Se alguma decisão não ficou clara, liste como pergunta em vez de decidir por mim.

Se for ela quem escreve, leia antes de colar. Quem resume é a conversa que já está cheia, e o começo costuma sair numa frase genérica: confira se as decisões do início estão lá.

Depois de dois ajustes que não pegaram · o pedido que abre a conversa nova
Estou recomeçando numa conversa nova porque, na anterior, o mesmo ajuste não saiu em duas tentativas.
O que eu quero: [o resultado, em uma frase].
O que não serve, e já saiu errado: [o que as duas tentativas fizeram].
Como eu sei que ficou certo: [o que dá para conferir no resultado].
O material: [o arquivo ou o trecho que ele precisa ler].

É diferente do erro que volta em outra conversa, outro dia: esse vira linha do manual (a segunda correção vira regra).

As frases de fim de dia

Uma skill que avisa antes, e as frases que a chamam

Na recepção, uma lista de palavras diz quando chamar o gerente: “reclamação”, “reembolso”, “advogado”. A descrição de uma skill faz o mesmo papel. No Claude Code, o handoff pode morar numa skill. Duas coisas fazem ela funcionar. A primeira está no começo do texto dela: avisar sozinha quando for hora de trocar de sessão, antes de perder qualidade, e nunca deixar a conversa degradar em silêncio. A segunda é a descrição, que é o que o Claude lê para decidir quando usá-la: ela traz os gatilhos (as frases que fazem o Claude abrir a skill) com as palavras do dia a dia.

A descrição da skill · o exemplo real, adaptado
name: fim-de-sessao
description: Encerrar uma sessão de trabalho com handoff em arquivo, ou decidir entre compactar e abrir conversa nova. Use quando eu sinalizar que vou parar, trocar de frente de trabalho, ou perguntar se devo compactar; quando a sessão estiver longa e a próxima etapa for uma frente diferente; ou quando eu pedir um resumo para retomar depois. Gatilhos: "vamos parar por aqui", "faz o handoff", "registra onde paramos", "devo compactar?", "abre conversa nova?", "prompt de continuidade", "amanhã eu continuo".

A simulação procura frases e palavras em comum, que é uma versão tosca do que o Claude faz. A lição é a mesma: se você encerra o dia de um jeito que a descrição não conhece, acrescente o seu jeito à descrição. “Agora vamos para a proposta” não é despedida, mas é troca de frente, e ela devia reconhecer.

Três erros comuns

Contar a história, deixar na conversa, trocar pelo tamanho

Quem já recebeu um projeto pela metade conhece os três defeitos do repasse: a pessoa conta a história inteira, deixa o que importa numa conversa que ninguém mais abre, ou passa adiante na hora errada.

Handoff que conta a história

“Começamos olhando a planilha, depois tentamos…” A próxima sessão não precisa saber como se chegou; precisa saber onde está.

Handoff que fica na conversa

Escrito lá dentro e nunca copiado para fora. Some com a conversa, justamente quando ia ser usado.

Trocar por tamanho, não por frente

Conversa curta com assunto novo pede conversa nova; conversa longa no mesmo assunto, muitas vezes, só pede compactar.

Hoje · no chat

O prompt de continuidade

Ao fim de uma conversa longa, peça o bloco da seção acima: decisões, estado, próximo passo e o que está em aberto, sem narrar a conversa. Cole na conversa nova e comece dali.

Depois · no Claude Code

O mesmo pedido, gravando num arquivo

O bloco vai para o 00-aqui-paramos.md, o arquivo de memória da pasta do projeto. A conversa seguinte lê o arquivo ao abrir, e você pode abrir e corrigir o que ela acha que é o estado. Como esse arquivo é montado: onde paramos.

No Claude Code · o pedido de fim de sessão
Vamos parar por aqui. Reescreva o 00-aqui-paramos.md com quatro blocos: o que decidimos nesta sessão, o estado atual (pronto e pela metade), o próximo passo concreto com o arquivo onde ele acontece, e os fios em aberto que esperam decisão minha. Reescreva, não acrescente embaixo: é um retrato, não um diário. Me mostre antes de gravar.
Para levar

Três ideias

Troque pela frente

Assunto novo é conversa nova, mesmo curta. Mesmo assunto, mesmo longa, muitas vezes basta compactar.

Escreva o estado, não a história

Decidido, estado, próximo passo, em aberto. O resto é narrativa, e a próxima conversa não usa.

Fora da conversa

Num bloco que você cola ou num arquivo da pasta. O que fica só na conversa some com ela.

Handoff
O registro que uma sessão deixa para a próxima: o que foi decidido, onde o trabalho está, o próximo passo e o que espera decisão.
Compactar
Pedir para a conversa se resumir dentro dela mesma, para liberar espaço e continuar no mesmo lugar. Pode perder detalhe.
Frente
Uma linha de trabalho com começo e fim: o relatório, a proposta, a apresentação. Mudar de frente é o sinal para trocar de conversa.
Prompt de continuidade
O handoff em forma de bloco, pronto para colar no começo de uma conversa nova no chat.

Simplificação didática. Os comandos e o nome dos recursos mudam entre ferramentas e versões; o critério da frente e as quatro respostas continuam. O relatório, os números e as frases de exemplo são inventados; a tabela das quatro situações e os gatilhos da skill vêm de trabalho real, sem nome. Família Claude Code; irmãs: a pasta, CLAUDE.md, onde paramos, referência e leitura de fonte, modelo, Obsidian.