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Onde paramos

Um arquivo na pasta com o estado do trabalho: o Claude lê no começo e reescreve no fim

A conversa de amanhã é outra conversa, e o modelo (a IA por trás do Claude) não lembra de nada da de hoje. No chat, você recomeça explicando tudo, ou caça a conversa antiga e cola pedaços. No Claude Code, que é o Claude trabalhando dentro de uma pasta do seu computador, quem lembra é a pasta: um arquivo curto, solto na pasta principal do projeto, diz em que ponto o trabalho está e qual é a próxima ação. É um retrato, não um diário: toda sessão (cada rodada de trabalho, da conversa aberta até a fechada) reescreve, nenhuma só acrescenta.

O primeiro arquivo do dia

Lido primeiro porque o manual manda, reescrito por último

É como a pasta “LEIA PRIMEIRO” deixada na mesa de quem vai cobrir as suas férias: só funciona porque alguém combinou que é por ali que se começa. O arquivo se chama 00-aqui-paramos.md (o 00 é só para ele aparecer no topo da pasta, e o .md quer dizer arquivo de texto simples). Ele não é lido por mágica: é lido porque o CLAUDE.md, o manual que o Claude lê sozinho ao abrir a pasta, tem uma linha mandando. Ao lado dele ficam as decisões e os fios em aberto, as pendências que esperam resposta. Avance e veja uma sessão inteira.

Passo 1 de 5
À esquerda, a pasta do projeto com o manual, a memória, as decisões, as pendências e os relatórios; à direita, a conversa. A conversa lê o manual, o manual manda ler a memória, o trabalho acontece nos relatórios, e no fim a conversa reescreve a memória A PASTA DO PROJETO CLAUDE.md 00-aqui-paramos.md 00-decisoes.md 00-fios-em-aberto.md relatorios/ A CONVERSA SABE
uma escolha

A memória que você lê, você corrige

Há ferramentas que guardam lembranças sozinhas, fora da sua vista. A escolha aqui é o arquivo: dá para abrir, ler o que o Claude acha que é o estado, corrigir uma linha, e ele fica guardado junto com o projeto.

não confundir

Duas coisas com o mesmo nome

Em toda correção vira regra, memória é a correção que vira regra e passa a valer sempre. Aqui é o estado do trabalho: onde parou e o que vem depois, e muda toda sessão.

Retrato ou diário

A mesma função, 58 linhas ou 2.396

É a diferença entre o quadro branco da equipe, apagado e reescrito toda semana, e o caderno em que tudo vai sendo anotado: os dois têm a informação, mas só o quadro responde “onde estamos?” de relance. Duas memórias reais, de dois projetos. A primeira é reescrita a cada sessão. A segunda nunca foi podada (ninguém tirou o que já tinha passado): cada sessão acrescentou, nenhuma reescreveu. O estado atual está lá dentro, mas a conversa nova precisa atravessar dois meses de história para achá-lo. Alterne.

Duas barras na mesma escala: a memória de 58 linhas é um traço; a de 2.396 linhas ocupa a largura inteira o retrato58 linhas o diário2.396 linhas · 53 mil palavras
linhas que a conversa atravessa58
onde está o estado

quanto da mesa ocupa


    

Os dois tamanhos foram medidos em projetos reais; o texto de cada trecho é ilustrativo.

Por que um arquivo enorme pesa, mesmo cabendo: a conversa tem um espaço de tamanho fixo, e o que entra nele disputa atenção. Mais em janela de contexto.

As seis partes da memória

Os blocos de uma memória boa são sempre os mesmos

Como o relatório de status que a gerência pede toda semana, com os mesmos campos sempre no mesmo lugar: ninguém precisa procurar onde está o prazo. O exemplo de 58 linhas tem seis blocos. Clique em cada um no arquivo. O conteúdo é de um projeto inventado (um curso interno de atendimento, com cinco módulos); a ordem e o tamanho são os do exemplo real.

00-decisoes.md

D1, D2, D3…

Cada decisão numerada, com data e motivo. Não se reescreve: decisão nova ganha número novo. A memória não repete as decisões; aponta para elas.

00-fios-em-aberto.md

F1, F2, F3…

O que espera resposta ou decisão. Fio fechado ganha a data em que fechou. A memória traz só os cinco mais importantes.

O próximo passo bem escrito

O próximo passo bom diz a ação e o arquivo onde ela acontece

Um recado que diz “ver aquilo do cliente” obriga quem lê a ligar perguntando; “mandar a proposta revisada, que está na pasta Propostas, para o financeiro” se faz sem ligar. O próximo passo é o bloco que a conversa nova usa primeiro. “Continuar o projeto” obriga a conversa a descobrir sozinha o que você já sabia ontem. Seis frases: vago ou concreto?

Antes de encerrar o dia

Cinco itens antes de fechar, na ordem, e o que se perde em cada um

Como o fechamento de caixa da loja: conferir, guardar, anotar a diferença; item pulado não dá erro na hora, só no dia seguinte. O checklist está escrito no manual de um projeto real, como obrigatório. Desmarque um item e veja o que a próxima conversa deixa de saber. Quem executa esse fecho é o handoff, a passagem de turno por escrito no fim da sessão.

Como saber se o fecho foi pulado, pela data

A memória carrega no topo a data da última vez que foi reescrita: o campo “atualizado:” do cabeçalho. Compare essa data com o arquivo mais recente que mudou no projeto (na janela de arquivos do computador, ordene a pasta por data de modificação). Se o trabalho andou e a data ficou para trás, o fecho foi pulado. O trabalho seguiu e a memória ficou parada.

Duas linhas do tempo com cinco sessões: o trabalho andou nas cinco; a memória foi reescrita só nas três primeiras, e a data dela está duas sessões atrás o trabalho a memória a data parou duas sessões atrás: fecho pulado
A frase mais recente engana

Em arquivo que só cresce, a menção mais recente não é o valor atual

Numa troca de e-mails sobre um pedido, o último e-mail que cita o prazo nem sempre traz o prazo que vale: às vezes é alguém respondendo com a data antiga. O que vale é o campo do pedido no sistema. A armadilha está escrita como regra num manual real. Qual é o prazo deste projeto? Leia do jeito rápido e do jeito certo.

Para saber o estado, leia o campo que diz o estado. Nunca a última frase que menciona o assunto.

Manual ou memória

O manual diz como se trabalha; a memória diz onde o trabalho está

É a diferença entre o manual do funcionário e a pauta da reunião de segunda: um diz como a empresa funciona, a outra diz o que está em andamento agora. Os dois são lidos no começo da conversa, e é por isso que se confundem. O que muda toda semana vai na memória; o que vale para sempre vai no CLAUDE.md, que é também onde está a linha que manda ler a memória.

Manual (CLAUDE.md)Memória (00-aqui-paramos.md)
Respondecomo se trabalha aquionde o trabalho está
Mudararamente, quando uma correção vale para sempretoda sessão
Se passar do tamanhoo Claude obedece a regra velhao Claude não acha o estado atual

A primeira memória

A primeira memória tem quatro blocos e duas linhas no manual

A primeira ata de uma equipe nova costuma ter só quatro tópicos: onde estamos, o que ficou decidido, o que vem agora e o que está pendente. Aqui, os mesmos quatro: estado, decidido, próximo passo, em aberto. Os outros blocos entram quando o projeto crescer. Preencha com o seu trabalho de hoje e copie.

00-aqui-paramos.md · ao vivo

      
As duas linhas do CLAUDE.md
Antes de começar, leia o 00-aqui-paramos.md.
Ao terminar um trabalho, reescreva o 00-aqui-paramos.md: estado, decidido, próximo passo e em aberto. Reescreva, não acrescente.
O teste · conversa nova
Onde paramos e qual é o próximo passo?

Se a resposta do teste vier com o arquivo onde a ação acontece, a memória está funcionando. Se vier “continuar o projeto”, o defeito está no próximo passo, não no Claude.

Acrescentar em vez de reescrever

A memória é um retrato. O que já passou vai para as decisões, os fios ou a linha do tempo.

Esquecer a linha no manual

Sem ela, o arquivo fica na pasta e ninguém lê. Ler a memória não é automático.

Próximo passo vago

“Continuar o projeto” não é passo. O bom diz a ação e o arquivo.

Para levar

Três ideias

Quem lembra é a pasta

O modelo não guarda nada entre conversas. O arquivo guarda, e você pode ler e corrigir o que ele diz.

Retrato, não diário

Toda sessão reescreve. O que passou vai para decisões e fios, numerados, em arquivo próprio.

Ação e arquivo

O próximo passo é a primeira coisa que a conversa nova usa. Vago, ela começa descobrindo.

00-aqui-paramos.md
O arquivo da memória, na raiz do projeto: estado, próximo passo, frentes, fios em aberto e vínculos.
Estado
Em que ponto o trabalho está hoje, em uma frase. Muda toda sessão.
Fio em aberto
Algo que espera resposta ou decisão, numerado (F1, F2…) em arquivo próprio.
Campo canônico
O lugar fixo onde um valor é escrito, como o prazo no cabeçalho. É ele que se lê, não a última menção.
Commit
O registro de um salvamento, com data, no histórico da pasta. Serve de régua para ver se a memória acompanhou o trabalho.

Simplificação didática: o nome do arquivo e os blocos são um jeito que funciona, não um formato da ferramenta. Os tamanhos (58 linhas; 2.396 linhas e 53 mil palavras) foram medidos em projetos reais, sem nome; mostram a forma do problema, não uma meta de tamanho. Os projetos, datas e trechos dos exemplos são inventados. Família Claude Code; irmãs: pasta, CLAUDE.md, handoff, referência, modelo, Obsidian.