Um arquivo na pasta com o estado do trabalho: o Claude lê no começo e reescreve no fim
A conversa de amanhã é outra conversa, e o modelo (a IA por trás do Claude) não lembra de nada da de hoje. No chat, você recomeça explicando tudo, ou caça a conversa antiga e cola pedaços. No Claude Code, que é o Claude trabalhando dentro de uma pasta do seu computador, quem lembra é a pasta: um arquivo curto, solto na pasta principal do projeto, diz em que ponto o trabalho está e qual é a próxima ação. É um retrato, não um diário: toda sessão (cada rodada de trabalho, da conversa aberta até a fechada) reescreve, nenhuma só acrescenta.
É como a pasta “LEIA PRIMEIRO” deixada na mesa de quem vai cobrir as suas férias: só funciona porque alguém combinou que é por ali que se começa. O arquivo se chama 00-aqui-paramos.md (o 00 é só para ele aparecer no topo da pasta, e o .md quer dizer arquivo de texto simples). Ele não é lido por mágica: é lido porque o CLAUDE.md, o manual que o Claude lê sozinho ao abrir a pasta, tem uma linha mandando. Ao lado dele ficam as decisões e os fios em aberto, as pendências que esperam resposta. Avance e veja uma sessão inteira.
Há ferramentas que guardam lembranças sozinhas, fora da sua vista. A escolha aqui é o arquivo: dá para abrir, ler o que o Claude acha que é o estado, corrigir uma linha, e ele fica guardado junto com o projeto.
Em toda correção vira regra, memória é a correção que vira regra e passa a valer sempre. Aqui é o estado do trabalho: onde parou e o que vem depois, e muda toda sessão.
É a diferença entre o quadro branco da equipe, apagado e reescrito toda semana, e o caderno em que tudo vai sendo anotado: os dois têm a informação, mas só o quadro responde “onde estamos?” de relance. Duas memórias reais, de dois projetos. A primeira é reescrita a cada sessão. A segunda nunca foi podada (ninguém tirou o que já tinha passado): cada sessão acrescentou, nenhuma reescreveu. O estado atual está lá dentro, mas a conversa nova precisa atravessar dois meses de história para achá-lo. Alterne.
Os dois tamanhos foram medidos em projetos reais; o texto de cada trecho é ilustrativo.
Por que um arquivo enorme pesa, mesmo cabendo: a conversa tem um espaço de tamanho fixo, e o que entra nele disputa atenção. Mais em janela de contexto.
Como o relatório de status que a gerência pede toda semana, com os mesmos campos sempre no mesmo lugar: ninguém precisa procurar onde está o prazo. O exemplo de 58 linhas tem seis blocos. Clique em cada um no arquivo. O conteúdo é de um projeto inventado (um curso interno de atendimento, com cinco módulos); a ordem e o tamanho são os do exemplo real.
Cada decisão numerada, com data e motivo. Não se reescreve: decisão nova ganha número novo. A memória não repete as decisões; aponta para elas.
O que espera resposta ou decisão. Fio fechado ganha a data em que fechou. A memória traz só os cinco mais importantes.
Um recado que diz “ver aquilo do cliente” obriga quem lê a ligar perguntando; “mandar a proposta revisada, que está na pasta Propostas, para o financeiro” se faz sem ligar. O próximo passo é o bloco que a conversa nova usa primeiro. “Continuar o projeto” obriga a conversa a descobrir sozinha o que você já sabia ontem. Seis frases: vago ou concreto?
Como o fechamento de caixa da loja: conferir, guardar, anotar a diferença; item pulado não dá erro na hora, só no dia seguinte. O checklist está escrito no manual de um projeto real, como obrigatório. Desmarque um item e veja o que a próxima conversa deixa de saber. Quem executa esse fecho é o handoff, a passagem de turno por escrito no fim da sessão.
A memória carrega no topo a data da última vez que foi reescrita: o campo “atualizado:” do cabeçalho. Compare essa data com o arquivo mais recente que mudou no projeto (na janela de arquivos do computador, ordene a pasta por data de modificação). Se o trabalho andou e a data ficou para trás, o fecho foi pulado. O trabalho seguiu e a memória ficou parada.
Numa troca de e-mails sobre um pedido, o último e-mail que cita o prazo nem sempre traz o prazo que vale: às vezes é alguém respondendo com a data antiga. O que vale é o campo do pedido no sistema. A armadilha está escrita como regra num manual real. Qual é o prazo deste projeto? Leia do jeito rápido e do jeito certo.
Para saber o estado, leia o campo que diz o estado. Nunca a última frase que menciona o assunto.
É a diferença entre o manual do funcionário e a pauta da reunião de segunda: um diz como a empresa funciona, a outra diz o que está em andamento agora. Os dois são lidos no começo da conversa, e é por isso que se confundem. O que muda toda semana vai na memória; o que vale para sempre vai no CLAUDE.md, que é também onde está a linha que manda ler a memória.
| Manual (CLAUDE.md) | Memória (00-aqui-paramos.md) | |
|---|---|---|
| Responde | como se trabalha aqui | onde o trabalho está |
| Muda | raramente, quando uma correção vale para sempre | toda sessão |
| Se passar do tamanho | o Claude obedece a regra velha | o Claude não acha o estado atual |
A primeira ata de uma equipe nova costuma ter só quatro tópicos: onde estamos, o que ficou decidido, o que vem agora e o que está pendente. Aqui, os mesmos quatro: estado, decidido, próximo passo, em aberto. Os outros blocos entram quando o projeto crescer. Preencha com o seu trabalho de hoje e copie.
Antes de começar, leia o 00-aqui-paramos.md. Ao terminar um trabalho, reescreva o 00-aqui-paramos.md: estado, decidido, próximo passo e em aberto. Reescreva, não acrescente.
Onde paramos e qual é o próximo passo?
Se a resposta do teste vier com o arquivo onde a ação acontece, a memória está funcionando. Se vier “continuar o projeto”, o defeito está no próximo passo, não no Claude.
A memória é um retrato. O que já passou vai para as decisões, os fios ou a linha do tempo.
Sem ela, o arquivo fica na pasta e ninguém lê. Ler a memória não é automático.
“Continuar o projeto” não é passo. O bom diz a ação e o arquivo.
O modelo não guarda nada entre conversas. O arquivo guarda, e você pode ler e corrigir o que ele diz.
Toda sessão reescreve. O que passou vai para decisões e fios, numerados, em arquivo próprio.
O próximo passo é a primeira coisa que a conversa nova usa. Vago, ela começa descobrindo.
Simplificação didática: o nome do arquivo e os blocos são um jeito que funciona, não um formato da ferramenta. Os tamanhos (58 linhas; 2.396 linhas e 53 mil palavras) foram medidos em projetos reais, sem nome; mostram a forma do problema, não uma meta de tamanho. Os projetos, datas e trechos dos exemplos são inventados. Família Claude Code; irmãs: pasta, CLAUDE.md, handoff, referência, modelo, Obsidian.